A surdocegueira é uma terminologia adotada
mundialmente para se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas
concomitantes em graus diferentes, podendo ser:
a)
Surdocego total:
ausência total de visão e audição.
b)
Surdocego com
surdez profunda associada com resíduo visual: ausência de percepção da fala
mesmo com aparelho de amplificação sonora individual, com resíduo visual que
permite orientar-se pela luz, facilitando a mobilidade e com apoio de alto
contraste é possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.
c)
Surdocego com
surdez moderada associada com resíduo visual: dificuldade para compreender a
fala em voz normal e sua percepção visual à luz permite mobilidade e com apoio
de alto contraste é possível ter percepção de objetos, pessoas e escrita ou
símbolos.
d)
Surdocego com
surdez moderada ou leve com cegueira: dificuldade auditiva para compreender a
fala em voz normal ou baixa é necessário falar mais próximo ao ouvido e tom
mais alto (fala ampliada), total ausência de visão, sem percepção de
luminosidade ou vulto.
e) Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto
visuais: dificuldade para compreender a fala em voz baixa e seu resíduo visual
possibilita que defina e perceba volumes, cores e leitura em tinta ampliada.
Definições quanto ao período em que surge a
Surdocegueira:
a)Surdocegueira
congênita:quando a criança nasce Surdocega ou adquire a
surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma língua
(português ou Libras – Língua Brasileira de (Sinais). Um exemplo mais freqüente
destes casos é a criança com seqüelas da síndrome da rubéola congênita.
b) Surdocegueira
adquirida: quando a pessoa ficou surdocega após a
aquisição de
uma língua, seja oral ou sinalizada. Os exemplos mais freqüentes deste
grupo são pessoas com Síndrome de Usher.
Segundo
a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989 define-se como:
É necessário incentivar e ensinar a
pessoa com surdocegueira a de como usar sua visão e audição residuais, assim
como outros sentidos remanescentes, provendo-as de informações sensoriais
necessárias que suscitem sua curiosidade.
Sem os sistemas adequados de comunicação, o avanço nos
estágios de desenvolvimento da linguagem pode levar mais tempo para ocorrer.
Além disso, o progresso é mais lento, mas não é necessariamente uma evidência
de que a pessoa com surdocegueira tem um baixo potencial, mas sim lhe faltam os
recursos de comunicação para responder significativamente ao meio ambiente.
Durante o processo de comunicação, o professor ou outro interlocutor tem a
função de: antecipar o que vai acontecer ou o local em que vai acontecer a
atividade; estimular a pessoa para se comunicar e explorar o ambiente;
confirmar se ela está interpretando as informações e a todo o momento comunicar
o que ocorre no ambiente.
Se uma comunicação efetiva não for estabelecida na infância,
a pessoa pode ao crescer, tornar-se um jovem ou adulto com comportamentos
inadequados para se comunicar. Pode utilizar, assim, às vezes de força física
para poder dizer que não quer algo como, por exemplo: empurrar a pessoa ou
retirar da mão de uma pessoa algo que deseja.
São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que
"têm mais de
uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que
identifica diferentes
grupos de pessoas, revelando associações diversas de
deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual
e o relacionamento social"
(MEC/SEESP, 2002).
Segundo
Orelove e Sobsey (2000) as pessoas com deficiência múltipla são indivíduos com
comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos
no domínio motor ou no domínio sensorial
( visão ou audição) e que requerem apoio permanente, podendo ainda necessitar
de cuidados de saúde específicos.
A
deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou
adquirida. Esses mesmos autores referem ainda que não se trata da somatória de
deficiências. Segundo Nielsen, é difícil para uma pessoa lidar com uma
deficiência se seus recursos são insuficientes por outra deficiência. E que
devemos pensar, no caso de uma pessoa cega com déficit intelectual, que é uma
pessoa deficiente cuja cegueira esta multiplicada pelo déficit de inteligência.
A autora diz ainda que quanto maior for o numero de deficiências, maior o risco
da pessoa não conseguir fazer uso de todas as habilidades que possui e, assim
sendo, a associação de diferentes problemas resultará em necessidades educacionais
únicas.
NECESSIDADES
DA PESSOA COM MÚLTIPLA DEFICIÊNCIA
De acordo com Nunes
(2002), podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades físicas e médicas, como por exemplo:
· A
mais freqüente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que
compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são limitados em
termos qualitativos e quantitativos.
· Limitações
sensoriais (visual e auditiva)
· Convulsões
· Controle
respiratório e pulmonar
· Problemas
com deglutição e mastigação
· Saúde
mais frágil com pouca resistência física
Necessidades emocionais de:
·
Afeto
·
Atenção
· Oportunidades
de interagir com o meio e com o outro
· Desenvolver
relações sociais e afetivas
· Estabelecer
uma relação de confiança
necessidades educativas devido a:
· Limitações
no acesso ao ambiente
· Dificuldades
em dirigir atenção para estímulos relevantes
· Dificuldades
na interpretação da informação
· Dificuldades
na generalização
EFEITOS SECUNDÁRIOS
A
comunicação é de extrema importância na aquisição de uma boa qualidade de vida
e as principais vias de acesso à comunicação são a visão e a audição. A perda
de uma ou ambas limita a aprendizagem incidental, onde a criança recebe e
procura ativamente informações seja na interação com o meio ou com outro,
proporcionando experiências significativas e fazendo associações com
experiências prévias e assim aprendendo.
Nunes
(2002) coloca que a limitação no acesso à aprendizagem incidental faz com que a
pessoa receba informações de maneira fragmentada ou distorcida, sendo então
essencial ensinar o que os outros aprendem acidentalmente.
Alem
disso coloca também que a dificuldade na comunicação cria limitações na
interação com os outros e com o meio levando a pessoa a ter poucas experiências
sociais.
A
mesma autora discorre sobre as conseqüências que podem ocorrer da falta de uma
comunicação. O isolamento social pode levar a dificuldades comportamentais e
emocionais, como por exemplo, hiperatividade, comportamentos obsessivos,
agressividade e auto-agressão, estereotipias, auto-estimulação, distúrbios de
atenção, entre outros.
ABORDAGEM EDUCACIONAL
Analisando as necessidades de uma pessoa com
deficiência múltipla e as conseqüências que a falta de comunicação pode trazer a
abordagem educacional deve ter estratégias planejadas de forma sistemática, num
modelo de colaboração na qual a comunicação
seja a prioridade central.
É
necessário organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas
claras e uma comunicação adequada. É preciso desenvolver atividades de maneira
multisensorial
para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que
proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar
para outros ambientes e pessoas
(atividade funcional).
A
pessoa com deficiência múltipla necessita de um ambiente reativo, isto é, que
responda a suas iniciativas. Seu tempo de resposta deve ser respeitado e a
habilidades de fazer escolhas deve estar dentro de suas atividades programadas.
ASPECTOS
IMPORTANTES SOBRE COMUNICAÇÃO COM PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA E COM DEFICIÊNCIA
MÚLTIPLA
Para as pessoas com surdocegueira e/ou com
deficiência múltipla dividimos a comunicação em Receptiva e Expressiva, para
favorecer a eficiência da transmissão e interpretação.
A comunicação
receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de
uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida
por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de
outras fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa
que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente
com a mensagem de quem enviou tentou passar.
A comunicação
expressiva requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação
para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de
objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras
variações.
Os calendários são instrumentos que favorecem o
desenvolvimento da noção de tempo e que ajudam os alunos a estabelecer e
compreender rotinas. Os calendários também são úteis no desenvolvimento da
comunicação, no ensino de conceitos temporais abstratos e na ampliação do
vocabulário, conforme Maia et AL (2008).
As características específicas apresentadas pelas pessoas com
deficiência múltipla
lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas
trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem
desenvolvidas para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do
processo de inclusão. Esses alunos constituem um grupo com características
específicas e peculiares e, conseqüentemente, com necessidades únicas. Por
isso, faz-se necessário dar atenção a dois aspectos importantes: a comunicação
e o posicionamento
Referências:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley
R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão
Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 4
- A escola comum e o aluno com surdocegueira. Capítulo 5 - Deslocamento em
trajetos. Capítulo 6 - Pessoa com surdocegueira

Nenhum comentário:
Postar um comentário