O Atendimento
Educacional Especializado do Aluno com Surdez em Construção PS
Sabemos que a nova política de educação no
Brasil vem tecendo fios direcionais que possibilitam superar uma visão centrada
de homem, sociedade, cultura e linguagem de forma fragmentária, certamente, não
só neste momento histórico como um modismo, mas que se consolidará numa
perspectiva de inclusão de todos, com especial destaque para as pessoas com
deficiência. Neste ponto, uma nova política de Educação Especial na perspectiva
inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tem se tornado promissora no
ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais. Porém, por mais que as
políticas estejam já definidas, muitas questões e desafios ainda estão para ser
discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço escolar, precisam ser
revistas e algumas tomadas de posição e bases epistemológicas precisam ficar
mais claras, para que, realmente, as práticas de ensino e aprendizagem na
escola comum pública e também privada apresentem caminhos consistentes e
produtivos para a educação de pessoas com surdez.
. O problema da educação das pessoas com surdez não
pode continuar sendo centrado nessa ou naquela língua, como ficou até agora,
mas deve levar-nos a compreender que o foco do fracasso escolar não está só
nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas
pedagógicas. É preciso construir um campo de comunicação e interação amplo,
possibilitando que as línguas tenham o seu lugar de destaque, mas que não sejam
o centro de tudo o que acontece nesse processo. Aí, deve-se discutir a presença obrigatória de
quem age, produz sentido e interage: a
pessoa com surdez.
O AEE PS, na perspectiva
inclusiva, estabelece como ponto de partida a compreensão e o reconhecimento do
potencial e das capacidades desse ser humano, vislumbrando o seu pleno
desenvolvimento e aprendizagem. As diferenças desses alunos serão respeitadas,
considerando a obrigatoriedade dos dispositivos legais, que determinam o
direito de uma educação bilíngüe, em que Libras e Língua Portuguesa escrita
constituam línguas de instrução no desenvolvimento de todo o processo
educativo. O AEE PS deve ser visto como construção e
reconstrução de experiências e vivências conceituais, em que a organização do
conteúdo curricular não deve estar pautada numa visão linear, hierarquizada e
fragmentada do conhecimento. O conhecimento precisa ser compreendido como uma
teia de relações, na qual as informações se processem como instrumento de
interlocução e de diálogo. Pensamos no AEE PS, na perspectiva de que tudo se
liga a tudo e que o ato de um professor transformar sua prática pedagógica,
conectando teoria e prática, a sala de aula comum e o AEE, numa visão
complementar, sustenta-se a base do fazer pedagógico desse atendimento.
Dessa forma, o AEE PS precisa ser pensado em redes interligadas, sem
hierarquização de conteúdos, sem dicotomizações, reducionismos; mas com uma
ação conectada entre o pensar e o fazer pedagógico. Com isso, certamente, o
ambiente de aprender a aprender será adequado e sustentará que o professor e o
aluno com surdez interajam com a sala
de aula comum, produzam, pela mediação pela compreensão dos conhecimentos, a
partir, de novas práticas metodológicas, com suas estratégias e recursos de
ensino.
Numa visão e reconstrução histórica, as
pessoas com surdez vêm vivendo momentos diferenciados na sociedade moderna
contemporânea. Com base nos paradigmas inclusivos, nos quais olhar para as
diferenças humanas de todos os seres humanos dá-se a priori, as pessoas com
surdez lutaram pelo reconhecimento da sua língua natural: a Língua de Sinais Brasileira
(LIBRAS). E nessa perspectiva, muitas ações, sob a égide legal e de
legitimidade, vêm se tornando efetivas, evidenciando-se uma fase produtiva de
pesquisas e estudos, na área lingüística e pedagógica, com objetivo de
construir um lócus teórico de compreensão dessa língua e de seus usuários.
É
importante frisar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios,
quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas
possibilidades sociais e educacionais
Por isso, é necessário discutir que, mais do que uma língua, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores,
que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva.O ambiente em que a pessoa com surdez está
inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe oferece condições
para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio físico e social, não
exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas,
conseqüentemente, compromete o desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da
produção de sentidos. Enquanto as discussões ficam centradas na aceitação de
uma língua ou de outra, as pessoas com surdez não têm o seu potencial
individual e coletivo desenvolvido, ficam secundarizadas e descontextualizadas
das relações sociais das quais fazem parte, sendo relegadas a uma condição
excludente ou a uma minoria. Como bem retratam Damázio e Ferreira ( 2010, p.
48):
A metodologia aplicada nas escolas precisa
ser repensada em vários aspectos, principalmente na inserção de pessoas com
surdez no ambiente escolar. São pessoas que tem potencial para desenvolverem
atividades iguais aos outros. Como afirma Damázio:
Referência bibliográfica:
DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com
Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista
Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p. 46-57.

Valdenir, relembrando mais uma vez, como você bem diz, sobre a questão da metodologia aplicada nas escolas, que devem ser repensadas, principalmente na inserção de pessoas com surdez no ambiente escolar. E essa questão se torna persistente nos discursos da inclusão.
ResponderExcluir